sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Ana e o Mar - Primeira Parte do Último Ato

'Somente o amor é capaz de unir os corações. Só ele pode tudo'


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Longa viagem enfrentaram os iluminados. Dez dias viajando interminavelmente, com o horizonte a cada dia que se passava se alongando. Joakim, Amália, Liberdade e T finalmente estavam chegando perto do final. Ana iria ser recuperada, por fim, e todo aquele mal que teve início há mil anos iria ser deposto. A Floresta da Lembrança estava caída. O cheiro de morte era sentido em todos os lugares, e até mesmo as flores estavam desaparecendo. Foi quando, a caminho da viagem, numa das terras das Planícies de Gonda, alguém pôde ver o disco voador, protegido por mágika forte. Liberdade era uma ótima magista. Joakim ficou parado observando, enquanto Pétala e Amália conversavam alguma coisa sobre árvores.


- Liberdade, olha só aquilo.


Liberdade imediatamente virou-se para baixo, enquanto Joakim, que estava com o dedo erguido apontando para os Palhaços, que estavam lá em baixo colhendo aquela rosa morta, e ficou observando.
O transporte parou de repente, enquanto todos se abaixavam pra olhar.
A rosa estava murcha, e um dos Palhaços a pegou em sua mão como uma mãe toma o filho aos braços pela primeira vez. Um dos Palhaços usava uma boina quadriculada em preto e branco, e sua boca era preta como a cor da meia-noite. O outro, tinha cores por todos os lados, e usava uma meia calça colorida que combinava com sua bolsa.
A rosa na mão do palhaço que tinha a boca cor da noite começou a reviver. Primeiro começou a se mexer, como quem dá um primeiro suspiro de vida depois de alguns momentos de desespero. Depois, algumas folhas começaram a crescer novamente, e o seu cheiro revigorado inundou uma área gigante. Ficou tão linda, mas tão linda, que aquele Palhaço não podia ser outro, senão Vida.
Vida foi o Palhaço que Deva colocou o dom mais bonito. De tão lindo e poderoso que era o dom, o próprio foi o que deu o nome ao Palhaço que o porta. É sinal de força, perseverança. Joakim admirava muito isso. E talvez aquele Palhaço fosse o mais indicado dentre todos pra guiar ao caminho mais certo entre os que eles têm a escolher.
O disco começou a descer levemente, e Liberdade abriu um sorriso gigantesco com aquilo que acabara de presenciar. Os outros permaneceram curiosos, apenas.


- Viiiiiiiiida!


Os dois Palhaços pararam e ficaram olhando para Liberdade, que mal esperou o disco tocar o chão pra poder descer e ir correndo de braços abertos. As duas se abraçaram num abraço tão gostoso, mas tão gostoso, que quando o raio de sol que há na máscara de Liberdade tocou o ombro de Vida durante o abraço, um sol surgiu nos olhos daquela que carrega consigo o dom maior. Era o 5º Filho do Sol que estava ali, à espera deles. O outro Palhaço, a quem se apresentou posteriormente, se chamava Nina. Pararam naquela planície depois de muito andar. Parecia que o Mundo chamava todos os Palhaços para ajudá-lo. Disseram, as duas, que uma marcha de Palhaços de todos os tipos havia partido de Alexandria no dia anterior, e estavam se dirigindo, de todas as formas possíveis, para a Terra das Sombras. Como eles ficaram sabendo do que estava acontecendo, não se sabe, mas todos estavam dispostos a ajudar o Mundo a se tornar um local melhor. Com tanta coisa ruim, com tanta gente precisando, com tanto roubo e desgraça, alguns muitos Palhaços se sensibilizaram. Ser Palhaço não é apenas colocar uma máscara e sair por aí com um sorriso no rosto, mas também saber que um abraço às vezes cura uma ferida, e que esse sorriso que é carregado consigo pode mover montanhas. O 'exército' contava com todos os tipos de Palhaço, e pela primeira vez na história do Mundo, uma marcha tão grande foi vista em prol de um único objetivo. Quando souberam disso, os viajantes do disco voador olharam uns para os outros e ficaram tão felizes que decidiram partir imediatamente para buscar Pétala, que estava em Brobdingnag. Faltava pouco para chegarem.


*


Brobdingnag havia se tornado uma arena de batalha. Todos os gigantes brigavam por qualquer coisa que quisessem e qualquer coisa que lhes chamassem a atenção de modo que desejassem-na. O continente estava realmente se deteriorando, com algumas imensas paredes de gelo derretendo e as brigas sendo cada vez mais destrutivas. Era como se alguma coisa estivesse tomando conta da mente deles. Alguma coisa realmente muito ruim. O céu do continente era cor de fogo, apesar do frio ser sentido até a espinha da alma. O chão, que agora podia ser visto, pois o calor da batalha derreteu a vasta camada de neve que o cobria, estava todo rachado, como se o alicerce que segura o continente estivesse quebrando. Na verdade, a ligação entre as criaturas estavam se quebrando. O mal lançado ao Mundo por Pied foi tão poderoso que até os sacerdotes dos templos racharam sua fé.
Os Filhos do Sol puseram o pé no continente ao mesmo tempo que a lua se escondia nas estrelas.
Rapidamente, foram teletransportados para o imenso labirinto que se escondia no interior daquele continente-iceberg. Os corredores eram gélidos, e a sorte é que Liberdade conhecia aquele local de cor.
Ao longe, no que aparentava ser o centro do local, uma luz forte brilhava, e uma oração dava pra ser ouvida em todo o labirinto. Caminhando um pouco, todos apreensivos, chegaram ao centro da charada. Pétala estava ajoelhada, sobre um esquife de gelo que continha um corpo, e era ela que estava orando.

- Amália, você lembra que viemos aqui para ressucitá-lo da outra vez?; perguntou Joakim, apreensivo.

- Lembro sim, Kim; Amália respondeu de uma forma que deu a entender um 'eu não apóio'.

- Talvez ele seja uma boa ajuda.

- Nem pense.

E ele se calou. Joakim pensava que isso realmente poderia ser de grande ajuda para conseguir derrotar Pied, mas quando se lembrou da horda de Palhaços que estavam se dirigindo para a Terra das Sombras, raciocinou que talvez não precisassem de fato, daquilo.
Pétala terminou sua oração. Fez um lacre para impedir qualquer magia vinda de fora penetrar no corpo de Sadhi. Ela era realmente muito bonita. Usava uma faixa azul na cabeça e um vestido florido que ia até o começo dos joelhos, cobertos por meias coloridas e enormes. Branca como a neve que que a cercava, tinha um olhar doce e tenro, apesar de ser um poço de ignorância às vezes. Quando se levantou, todos olharam para ela, e depois se entreolharam.

'Está na hora'.

Um comentário:

cheyla disse...

"apesar de ser um poço de ignorancia as vezes"

hauahauha