quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ana e o Mar - Quarta Parte do Segundo Ato

'Jai guru Deva. Om.'

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De repente, uma enorme luz tomou conta de toda Alexandria e Amália e T começaram a brilhar. Ouviu-se a frase 'Jai guru Deva. Om' de um abismo sonoro que não se sabia origem. Talvez porque, mais uma vez, foi muita energia concentrada num canto só. A criatura, não se sabe como, começou a cair, inconsciente, enquanto via-se suas duas asas cortadas. O baque do corpo no chão foi grande, e Ana e Arnaldo só faziam observar, de longe. Os três sóis emergentes começaram a se extinguir lentamente, e o corpo do monstro havia virado pó. As nuvens haviam voltado ao normal, ea sensação de pavor que tomou conta do povo não existia mais. Amália olhou ao seu redor e reconheceu os nós que constituiam aquela pessoa, e era como se aquela presença a desse segurança, e T, assustado, só fazia sorrir, como quem não acreditava no que estava acontecendo.

- Até que enfim!; Amália deu seu melhor sorriso enquanto seus olhos lacrimejavam e seus braços se abriam numa corrida que terminou com um abraço e um giro.

- Hmm, hmm!; T também abraçou os dois, que pareciam se completar. Arnaldo, do outro lado, começou a apontar e pular euforicamente enquanto gritava repetidamente ''é Joakim, é Joakim! O irmão de Amália!''

Ana, tipicamente, franziu o cenho e perguntou:

- Mas todos os Filhos do Sol não são irmãos? Quer dizer, ele é um Filho do Sol, não?

- É sim, mas a ligação que eles têm é diferente. Contam os mais antigos que eles nasceram da mesma centelha de mágika.Antes da Guerra do Fogo, os dois eram um só. Foi o primeiro Palhaço que Deva fez, a quem chamou de Olivier. Olivier se sacrificou para salvar os outros Filhos do Sol na última grande guerra, confrontando Pied cara a cara. Por esse motivo, por serem metade de um todo, Deva dividiu as fraquezas e habilidades entre eles. Com um, a determinação, percepção e compreensão; com outro, a capacidade de cativar os outros, a presença que dá segurança, e o amor que falta no mundo. Por serem, ainda, metade de um todo, um ficou como homem, em tom de azul, e o outro como mulher, em tom de rosa.

Ana só fazia ouvir, apreensiva, enquanto observava o encontro das duas metades, dos únicos Filhos do Sol que, realmente, eram irmãos de mágika.

- Ah, que saudades!; Joakim abraçou os dois e, ainda no abraço, começou a pular e entoar um 'hei! hei! hei!'.

- Nem me fale; Amália apertou o abraço com um sorriso iluminado.

Do outro lado dos escombros, Ana e Arnaldo vinham correndo, e os três Filhos do Sol olharam quase que igual para eles.

- É ela?; perguntou o recém-chegado.

- É sim, Kim, é ela mesma; Amália respondeu com um ar mais pesado.

- Então, chegue cá, chegue!; e abriu os braços e se abaixu com um sorriso para acolher a menina. Ah, que bom te conhecer!

- É bom conhecer você também, seu Joakim!; Olhou pra cima e sorriu. Joakim bateu o olho em Arnaldo e o pegou nos braços jogando-o para cima e gritando 'Arnaaaaaaldooooo!'

- Me laaaarga, me laaaarga!; gritava o palhaço em miniatura enquanto Ana, T e Amália caíam na gargalhada.

- Bom, vamos comer? Tô morrendo de fome!; e saiu com Arnaldo nos braços, ainda pedindo para descer. Com a luz que emanava dos três juntos, as casas se reconstruíram e as vidas perdidas retornaram.

*

Era noite quando os três ainda conversavam, relembrando os velhos tempos. Foi quando Ana e Arnaldo estavam dormindo.

- Então, como está tudo até agora, Amália?; Joakim juntou as mãos e fitou o olho de Amália. Aquele verde se completa.

- A situação está difícil, Kim. A cada dia que passa sinto que a menina continua crescendo, bem como a vontade de Pied. Ele se torna mais forte com o tempo, e como isso acontece eu não sei. Tentei fazer uma varredura telepática na área de Alexandria, mas não encontrei nada. T também tentou sentir alguma energia negativa, mas a única coisa que conseguiu foi o pó do dragão negro que a Terra das Sombras havia mandado. Não foi, T?

- Uhum; até o palhaço que não falava estava querendo gritar, sabia que alguma coisa estava errada. Ele remeteu então a exatos mil anos atrás, quando Sadhi finalmente tinha chegado em Alexandria, e os Sete estavam à espera dele. Alexandria teve de ser reconstruída depois dessa guerra.

- Então, eu sugiro que temos de ir à Brobdingnag*; Joakim se levantou e foi à janela, observar as estrelas.

- Mas o que vamos fazer no país dos gigantes?; Amália arregalou os olhos e se levantou com uma cara de interrogação e susto. T ficou sentado mas olhou pra Joakim como quem vê algo desconhecido, surpreso.

- Dizem que Deva enterrou Sadhi lá.

- Sim, isso eu sei, Joakim, mas o que, pelo amor dos anjos, você quer ir fazer lá?; Amália agora estava irritada.

- Vamos ressucitar Sadhi.

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Nota: Brobdingnag é o nome do País dos Gigantes do livro 'Os Bruzundangas', de Lima Barreto. No Mundo, fica perto do pólo ártico, sendo, portanto, extremamente frio. Deva enterrou Sadhi lá porque o frio dos ventos que lá sopram é o mesmo desde a criação, sendo, portanto, mágiko. O país é rústico e antigo em todos os termos, pois não há comércio e os gigantes [que têm entre 8 e 12 metros de altura] vivem da caça e habitam as cavernas.
Foi o último continente a ser estudado pelos estudiosos da Geografia sendo, portanto, menos o conhecido.

2 comentários:

cheyla disse...

chegue ca chegue....
cara de joaquim *-*

As mulheres. disse...

Essa historia fica mais emocionante a cada dia que passa xD