segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Ana e o Mar - Terceira Parte do Segundo Ato

'A vida ocupou todo o espaço e se fez paz.'

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Quando Ana acordou, já estava em sua cama. Apenas Arnaldo do seu lado.

- Arnaldo, cadê Amália?; ela perguntou assustada. Era como se a distância daquele sorriso a sufocasse.
- Não sei, Donana, saiu com o Filho do Sol!

Ana olhou com a maior cara de assustada que poderia fazer naquele momento:

- Filho do Sol?! Como assim? Cadê eles? Você os viu saindo? Pra onde eles foram? Como eles foram? Quando eles...

- Calma, calma, calma, Donaninha! Ela disse que eu não me preocupasse que ela logo, logo voltaria.

- Mas ela encontrou outro Filho do Sol! E eu não lembro de ter adormecido! Como viemos parar aqui?

- Eu acho que foi porque eles dois se encontraram. A mágika liberada num local só deve ter sido muito forte e quem não tem uma boa resistência a isso desmaiou. Acho que foi isso; e ficou pensativo.

- Bah, vamos esperar eles e comer, então!

Passaram cerca de duas horas esperando e nada, até que, sem querer, o clima para o frágil corpo de Ana ficou mais quente. Eles entraram sorrindo pela porta.

- Bah, mas tudo vai ficar bem, sim! É só ter fé!; Ana ouviu Amália dizer enquanto entrava.
Meu amor, desculpa ter te deixado aqui, mas achei melhor você descansar e deixei Arnaldo cuidando de ti!

- Nada, nada! Como é o nome dele? Ele veio da onde? Ele é teu irmão? Sim, ele é teu irmão!; Ana tagarelava mais que pinto quando nasce, e a euforia dela era de dar gargalhadas em qualquer um. Até Arnaldo começou a rir.

- É meu irmão sim, Ana! O nome dele mesmo é 'êÊÊÊêê', mas pode chamar de 'T'.

- Porque 'T'?

- Nem eu sei; e deu um sorriso bem costumeiro.

- Enfim, ele veio pra ajudar a gente. Queria que vocês se sentassem, precisamos conversar.

Ana olhou para Arnaldo meio apreensiva, mas obedeceu.

- Ele não fala, então, vocês vão ter de exercitar um pouco a paciência, certo? Outra coisa, a partir de agora, possa ser que a nossa jornada se torne mais difícil. As Terras das Sombras já sabem que estamos pretendendo reunir novamente os Filhos do Sol, e não estão nada satisfeitas com isso. Pied*, o Palhaço Escuro, estava na batalha do Fogo. Ele era um dos braços direitos de Sadhi. Quando este foi derrotado, Pied rumou para a Terra das Sombras e conquistou-a para si. Desde então, ele tem sido nosso maior inimigo até agora. Ele que mandou aqueles Pesadelos para a Floresta da Lembrança para atacar vocês, e ele que tá fazendo com que a Floresta morra. E é isso que eu quero descobrir.

Ana e Arnaldo ouviam abismados, enquanto T observava os dois, meio que os analisando.

- Mas o que ele ganha com tudo isso, Amália?; perguntou Arnaldo, meio confuso.

- Também não sei, Arnaldo. Eu acho que ele quer fazer tudo isso pra tomar o Mundo pra si que nem Sadhi estava disposto a fazer. A única diferença é que Sadhi estava à beira da loucura, Pied sabe muito bem o que está tentando fazer. E é muito incrível como um dia é diferente do outro. Só que é preciso ter visão pra perceber isso tudo . E a visão que eu falo não é aquela proveniente dos olhos, mas a que vem de dentro, a que é sentida. Só espero que essas mudanças não sejam percebidas por muitas pessoas logo, porque o que Pied tá tentando fazer é muito drástico.

- Então o que a gente tá esperando? Vamos embora caçar esse cara!; Arnaldo deu um pulo como quem quer ser um super-herói.

- Ah, se fosse assim! Ele é perigoso, e na arena dele a gente sai perdendo. Pelo menos por enquanto.

De repente, a luz que vinha da janela sumiu. Ouviram-se gritos das pessoas que estavam lá fora, e um rugido de uma besta foi sentido pelas paredes. Amália e T foram ver o que estava acontecendo daquele vidro empoeirado. Então, aquele dragão vermelho soltando fogo negro foi visto. Suas asas eram tão grandes que cobriam grande parte do céu da cidade. Seu rugido, o mais estremecedor.

- T, eles precisam da gente!; Amália colocou sua capa e saiu correndo pela porta. Vocês dois ficam aqui!

Saíram correndo para fora.

- Que os Filhos do Sol Apareçam!; a criatura exalava enxofre pelas narinas.

Dois sóis apareceram no céu imediatamente. A besta ficou abalada, mas logo rogou seu sopro de fogo sobre os dois. Um escudo de flores os protegeu enquanto eles tentavam avançar.
Amália tentava proteger não só ela, mas as outras pessoas também. Foi quando o dragão levantou sua pata mais alto que a estátua do Sol, e desferiu um golpe sobre a terra que fez o chão tremer. Prédios foram caindo, e pessoas perecendo. Ouviam-se mais gritos e sentia-se mais terror. Os dois não seriam páreos pro monstro?

- Droga, precisamos de ajuda!; Amália agora cobria sua cabeça com os braços tentando se proteger dos escombros enquanto a besta agora aterrisava na terra.

- Hmm; murmurou T.

Uma aura negra começou a sair da criatura, e plantas e árvores começaram a morrer. Tudo parecia estar perdido quando, no alto do céu, pôde-se ver mais um Sol nascendo, e ouviram-se o barulho de algo como guizos vindo de toda a parte. Amália parou, estática, quando ouviu aquilo. Era como se, de alguma forma, fosse ficando mais e mais forte. Foi então que todos puderam vê-lo. Usava um chapéu rosa com uma fita vermelha. Uma calça azul-escura folgada fazia contraste com suas luvas pretas semi-cortadas e, delas, saiam guizos. Seu colete por cima de sua camiseta azul-céu tinha um coração do lado esquerdo do peito, e algo tipo um jogo da velha do lado direito. Dele também saíam guizos. Um grande sol amarelo enfeitava suas costas e seus olhos eram verdes, verde-esperança.

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Nota:

*Pied [leia 'Pié'] foi, como Amália disse, o braço direito de Sadhi durante a Guerra do Fogo. Ele se revoltou contra o Mundo porque viu seu mestre sendo morto 'injustamente'.
Em breve, mais informações.

Um comentário:

RobertoArαujo disse...

Tou lendo! *-*
Parabéns Guto!
Atonrei a entrada triunfante de Joaquim! Sei se ele vai ter esse nome aki tbm :~
Abração!